O Direito e a Tecnologia: Uma História de Amor (Im)possível

Duas pessoas muito diferentes, com ritmos de vida completamente distintos, tentando fazer um relacionamento dar certo. Este é o caso do Direito e da Tecnologia – uma relação complexa, cheia de desafios, mas que precisa funcionar.

De um lado, temos o Direito: tradicional, lento, apegado aos seus livros empoeirados e precedentes centenários. Do outro, a Tecnologia: jovem, impetuosa, sempre buscando a próxima inovação. Como fazer essa relação dar certo?

Quantas vezes já me peguei várias vezes pensando se conseguiria acompanhar esse ritmo frenético das mudanças tecnológicas. Já não bastavam as mudanças jurídicas: emendas, projetos, jurisprudência. Agora temos a tecnologia num ritmo frenético.

Talvez o segredo não esteja em fazer o Direito acompanhar essas mudanças a qualquer custo. A solução pode estar em encontrar um ritmo sustentável que permita a evolução sem perder a essência das coisas. Manter o diálogo saudável seria a reposta.

Veja o caso da assinatura digital ou do PJe, por exemplo. Quando surgiram, muitos de nós não gostaram das novidades: “Como assim, assinar sem caneta? Isso não vai dar certo!”; “Processos totalmente eletrônicos? Absurdo!” Hoje, não conseguimos imaginar nossa vida profissional sem eles. Do mesmo modo, a inteligência artificial está passando por isso: o que parecia ficção científica está se tornando uma ferramenta essencial para análise de jurisprudência, pesquisas, estudos, elaboração de peças, jurimetria e diversas outras funcionalidades.

O melhor de tudo isso é que não precisamos nos tornar programadores ou especialistas em tecnologia para sobreviver nesse novo mundo. O que precisamos é desenvolver uma curiosidade saudável e a disposição para aprender continuamente. É o aprendizado de um novo idioma: começamos com o básico e evoluímos gradualmente.

O futuro do Direito não está – e nunca esteve – em resistir à tecnologia, mas em abraçá-la de forma consciente e estratégica. É como aquele casal improvável que, apesar das diferenças, descobre que juntos são mais fortes. O Direito traz a sabedoria e a estabilidade; a tecnologia traz a inovação e a eficiência. E dessa união, surge um Direito mais ágil, mais acessível e mais preparado para os novos desafios.

Afinal, como em qualquer bom relacionamento, o segredo está em encontrar o equilíbrio entre manter nossa essência e estar aberto às mudanças que o futuro nos reserva.

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